Andar com fé eu vou,

Que a fé não costuma faiá...

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Tem dias que o câncer me pega pelos cabelos e me joga no chão. Talvez não seja o câncer em si, mas os efeitos do tratamento. Tem dias que é doloroso permanecer sendo forte; há um mês atrás eu não me imaginaria dizendo isto, mas no câncer, como na vida, as coisas mudam repentinamente. Minha última quimio foi há doze dias e não teve um dia sequer que o cheiro e o gosto do protolo ABVD não ficasse correndo por dentro de mim, causando enjôo e dor no corpo. As pessoas permanecem tentando me convencer de que sou forte e vou superar tudo isto, mas a verdade é que quando o seu corpo está incomodado seu emocional quer gritar. Tenho vontade de vomitar um monte de palavras ofensivas em quem me deseja calma e força sem ter esse gosto correndo por dentro do corpo todo santo dia. Tenho vontade de fugir para um país desconhecido e viver fingindo que não tenho nada disso. Tudo começou há três semanas quando busquei o PetCt e explodi de felicidade porque o tumor não tem mais nenhuma atividade cancerígena, pensei, em um mês, no máximo, isto terá acabado. No mesmo dia, a tarde, tudo terminou quando a médica me disse que continuaremos por alguns meses por garantia. Certamente ela que estudou muito para isto, sabe os motivos científicos. Certamente ela que nunca viveu isso na pele não imagina o burraco emocional que se abre com a previsão de MESES de quimioterapia. Acho que estou sentindo falta da terapia, mas tenho certeza que a esta altura o dinheiro não dá mais para isso :( Ainda bem que desabafar é gratuito, e hoje, foi o único remédio.

Paro por aqui, já que o choro acabou.