Andar com fé eu vou,

Que a fé não costuma faiá...

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

As novas revelações, são velhas!

Estive ausente nestes últimos dias por uma sequência de ocorridos. 1. A Manuela ficou doente e precisou de muitos cuidados. 2. Ela se recuperou e eu fiquei exausta, logo, fui procurar abrigo na praia, na casa da minha mãe. 3. Alguns acontecimentos me fizeram pensar tanto, mas tanto, que sabe quando a gente precisa ficar quieto para não falar demais?
Pois é, passada a temporada de breve tempestade, aqui estou eu, afinal, é preciso colocar os novos monstros para fora.
Esta semana eu estive pensando sobre o quanto a gente adoece quando nos permitimos aceitar situações inaceitáveis. Como quando nos dizem um absurdo e ficamos quietos para sermos educados. Quando percebemos a maldade em alguém e preferimos não acreditar e manter o convívio. Quando se decide esquecer o mal que lhe fazem, e a situação se repete.
O câncer não é algo tão terrível quanto a falta de respeito consigo, e olha, posso falar disso com propriedade. O câncer na verdade é um antidoto. Quando nos deparamos com esta situação percebemos que ninguém controla a própria vida, ninguém tem certeza de por quanto tempo estará aqui, e, por isto, nos força a perceber que é preciso se colocar, sim, em primeiro lugar. Para mim, este é um exercício completamente novo. Sempre tentei agradar os outros. Chego o pensar que este tumor saltou no meu pescoço revelando os gritos que engoli e calei. Me recordo até com clareza de um dia, no ano passado quando, uma única vez, em uma situação muito desagradável e constrangedora eu deixei um grito sair e disse a alguém que queria jogar uma bomba no lugar em que sentia aquela pressão sob minha cabeça. Fui repreendida. Chorei de arrependimento. Me calei constrangida e acuada. Calei este em meio a tantos outros gritos que nunca sequer experimentaram sair. Como muitas que conheço, me tornei especialista na arte de dar mais importância aos desejos dos outros do que aos meus. Deixar que cuidem de mim já é um desafio, mesmo na atual situação. Esse caminho sem volta que tem me transformado profundamente me ensinou a abrir mão de muitas coisas, mas muito mais do que isso, me ensinou a me permitir. A desfrutar do que me faz bem com intensidade, e a dizer não com entonação. É claro que, como qualquer pessoa em tratamento -da alma- ainda há dias em que choro por coisas banais, dias em que fofocas e dedos apontados me preocupam mais do que ter um câncer no sistema linfático; mas estou aprendendo e evoluindo no caminho amor próprio.
Estes dias eu ouvi alguém comentar que uma alma sem amor, disse, sobre a minha doença, que cada um tem o que merece; por isso alguns têm gripe e eu... Bem, eu tenho a chance de me reinventar, de aprender, de me transformar e SER um ser humano melhor, bem diferente de você.  É fácil mostrar sorrisos e aparentar alegria quando tudo parece de acordo em nossas vidas; quero ver se reinventar, perdoar, amar e sorrir quando todas as certezas desaparecem e você percebe que não tem o controle de nada. Nunca teve e ninguém tem. Aí, queridos amigos, é só o amor que sobra. Primeiro, aquele que devemos ter por nós mesmos!