Andar com fé eu vou,

Que a fé não costuma faiá...

sábado, 16 de julho de 2016

Primeiro dia

Fiz a cirurgia (para retirada do tumor) ontem. Não foi possível retira-lo, devido ao fato de estar enraizado. Um pedacinho dele foi para biópsia. Não sei ao certo o tamanho, com certeza menor do que a minha esperança em ouvir que é benigno, que não é nada, que foi um sonho.
Estou, exatamente há duas semanas tentando digerir todas as informações que tenho recebido. Desde os resultados dos exames laboratoriais, à análise minuciosa dos exames de imagem, muita pesquisa no Google, nem uma lágrima até agora. Eu sei exatamente o que estou prestes a passar, mas por dentro me sinto anestesiada. Neste momento sinto que a única coisa capaz de me desestabilizar é ouvir a palavra quimioterapia. Quimioterapia. Essa porcaria de palavra não sai da minha cabeça. Morro de medo de cirurgia. Prefiro fazer cem a passar pelo que imagino ser a quimioterapia.
Eu estou deitada no meu quarto, me recuperando da cirurgia, e aqui em casa, lá embaixo, a vida segue normalmente. O Guilherme e meus pais estão bebendo, ouvindo música, cozinhando... Alice está brincando, a Manuela dormindo, chego a imaginar que a vida possa permanecer a mesma se eu fingir que não tenho nada. Acho que é o que estou fazendo. Até quando?

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