Andar com fé eu vou,

Que a fé não costuma faiá...

sábado, 30 de julho de 2016

Agora que sei de tudo,

Sinto que não sei mais nada. Recebi ontem a ligação da médica, ela recebeu o resultado da imunohistoquimica e sabemos agora o nome da doença, o subtipo, o estágio. Ela disse que na próxima semana iniciaremos a quimioterapia. Ela me disse a palavra quimioterapia e o filme começou a rodar na minha cabeça. Parece mais fácil aceitar agora que sei exatamente o que está dentro de mim e a única pergunta que ainda me vem é: por que agora? Agora que meu bebê acabou de chegar, agora que tenho duas filhas que tanto precisam de mim? E a resposta é exatamente esse: porque agora tenho duas filhas que precisam de mim, haveria um motivo maior que este para encontrar força e lutar? Com certeza não. Estou pensando em mudar meu cabelo radicalmente a cada semana, até que não reste um só fio; é engraçado como isto me anima porque começa aí a raiz da coragem, fazer tudo aquilo que nunca antes me encorajei a fazer. Eu ainda não sei (acho que não tem como saber) por quanto tempo esta batalha há de ser enfrentada; mas eu desejo, sinceramente, que a cada dia eu amanheça com essa vontade de mostrar pra mim mesma que sou muito mais forte do que pensava. Cada dia mais. Agora não sei mais como serão meus dias e a estabilidade me foi tirada, mas não é assim que nos redescobrimos? Quando o chão desaparece? Minha tia me deu um conselho de três palavras que me sooa como um lema: enfrente, em frente! É só o que sei que vou fazer!

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